Terceira fase da Operação Carbono Oculto realizada em São Paulo e Rio de Janeiro. Divulgação/Receita Federal A Polícia Federal em São Paulo concluiu o inquérito da Operação Quasar, um dos braços da Carbono Oculto, e indiciou 13 pessoas. Segundo a investigação, os envolvidos são executivos de fundos de investimento, corretoras e fintechs. A PF atribui aos investigados os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. O indiciamento é o ato pelo qual,

Terceira fase da Operação Carbono Oculto realizada em São Paulo e Rio de Janeiro. Divulgação/Receita Federal A Polícia Federal em São Paulo concluiu o inquérito da Operação Quasar, um dos braços da Carbono Oculto, e indiciou 13 pessoas. Segundo a investigação, os envolvidos são executivos de fundos de investimento, corretoras e fintechs. A PF atribui aos investigados os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. O indiciamento é o ato pelo qual, ao fim da investigação, a polícia aponta formalmente quem considera responsável por crimes. Segundo a PF, os 13 investigados ajudaram o esquema comandado pelos empresários Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Os dois estão foragidos desde o ano passado e não eram alvo direto deste inquérito. O relatório final da investigação já foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF). Nos próximos dias, o órgão deverá decidir se apresenta denúncia, que é a acusação formal à Justiça, se pede novas investigações ou se arquiva o caso. VEJA QUEM SÃO OS INDICIADOS: João Carlos Falbo Mansur Marcelo Dias de Moraes Rogério Garcia Peres Artur Martins de Figueiredo Danilo Augusto Tonin Elena Ramon Pessoa Dantas Silvano Gersztel Luiz Felipe Sousa Leão Volani Paula Rios Borges João Eduardo Gomes Santiago Luis Fernando de Almeida Camila Cristina de Moura Silva Caio Henrique Hyppolito Galvani Terceira fase da Operação Carbono Oculto mira executivos do mercado financeiro Na conclusão do inquérito, a Polícia Federal afirmou ter reunido provas de que recursos provenientes de sonegação fiscal e de outros crimes no setor de combustíveis, atribuídos ao grupo econômico formado pela Aster Petróleo e pela Copape Produtos de Petróleo, foram inseridos no sistema financeiro e movimentados por meio de uma estrutura de contas e fundos de investimento. Segundo a investigação, o esquema era usado para ocultar os verdadeiros donos do dinheiro e dar aparência legal a um patrimônio de origem criminosa. A PF também concluiu que as três empresas responsáveis pela administração dos fundos não foram apenas utilizadas pelos investigados, mas participaram da estrutura criada para esconder a origem dos recursos e seus beneficiários. Mensagens, contratos, planilhas, perícia contábil e extratos bancários obtidos com autorização judicial foram citados como provas. Com a comprovação dos crimes e a identificação dos envolvidos, a Polícia Federal encerrou a investigação. Operação Quasar A Quasar foi uma das três operações realizadas em 28 de agosto de 2025 contra a suposta infiltração do PCC no setor de combustíveis e no sistema financeiro. As outras duas foram a Tank, da PF no Paraná, e a Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo e da Receita Federal. A Quasar teve como alvo uma suposta rede de lavagem de dinheiro e de fraudes na gestão de instituições financeiras, com indícios de ligação com facções criminosas. Naquele dia, a PF cumpriu 12 mandados de busca e apreensão na capital e no interior paulista. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 1,2 bilhão. Como funcionaria o esquema O grupo usava fundos de investimento e uma teia de empresas para esconder dinheiro de origem ilegal. Os investigadores afirmam que empresas do mesmo grupo simulavam operações de compra e venda de imóveis e títulos, sem qualquer finalidade econômica real. A PF descreve a existência de "múltiplas camadas societárias e financeiras", com fundos que eram donos de participações em outros fundos ou empresas. Para os investigadores, essa estrutura dificultava a identificação de quem efetivamente ficava com o dinheiro. O modelo também serviria para blindar o patrimônio e esconder a origem dos valores. Agora, cabe ao Ministério Público Federal analisar o relatório da PF e decidir os próximos passos do caso. Nota da defesa dos empresários Roberto Leme e Mohamad Hussein: "Desde a deflagração da denominada Operação Carbono Oculto, os investigados têm sido alvos de especulações e acusações desprovidas de suporte fático, notadamente quanto a uma suposta integração ou liderança em facções criminosas. Diante de tais ilações, a defesa sempre sustentou, de maneira reiterada e categórica, a inexistência de qualquer elemento material que respaldasse tais narrativas. Cumpre informar que a própria autoridade policial, no encerramento de seus trabalhos perante a Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros (DELECOR/DRPJ/SR/PF/SP), admitiu expressamente em seu Relatório Final (fl. 2.062, parte em Anexo) que: [...] a vinculação do grupo de origem a facção criminosa determinada, embora reiteradamente noticiada e, inclusive, objeto do dossiê reputacional encomendado pela própria administradora investigada e examinado no item 15.11, não é afirmada neste relatório como fato provado nestes autos. O documento oficial é taxativo ao delimitar que reportagens e dossiês de mídia não [servem] como prova do vínculo em si, comprovando que a imputação que vinha sendo ventilada baseava-se unicamente em repercussão midiática e especulações de terceiros, sem correspondência com a realidade dos autos. A confirmação formal, lavrada pela própria Polícia Federal, atesta o que a defesa sempre sustentou: não há prova, indício ou respaldo fático para atribuir aos investigados qualquer ligação com organizações ou facções criminosas. A defesa permanece serena e confiante de que a verdade prevalecerá em todas as instâncias do Poder Judiciário."
Fonte: g1.globo.com